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O hinduísmo

O hinduísmo é considerada a religião mais antiga do mundo e da India, não tem uma organização estrutural (igreja, padres, etc.) nem um livro sagrado, como a Bíblia do cristianismo ou o Corão do islamismo, sendo praticado de formas diferentes em regiões distintas. Caracteriza-se pelo politeísmo - são adorados mais de 240.000 deuses - mas as principais divindades são Brama (espírito da criação, ser inalcançável), Siva e Vishnu, formando uma trindade em torno da qual se agrupam os outros deuses.

Os seguidores do hinduísmo crêem na imortalidade da alma, no ciclo reencarnatório, que visa a libertação dela, e na fusão final com Deus, através da purificação, do culto e da prática religiosa. Segundo o Karma de cada indivíduo (o caminho rumo à perfeição), o homem tem muitas vidas, e os seus sofrimentos correspondem aos obstáculos desse caminho. 
Ascetismo e disciplina e a prática da ioga são meios de purificar o corpo, na busca da pureza da alma. Devem ser seguidas também normas ligadas à alimentação, celebrações, peregrinações. etc
As raízes do hinduísmo, podem ser encontradas entre o ano de 1500 a.C. e 200 a.C, quando os chamados arianos começaram a subjugar o vale do Indo. As crenças destes tinham ligação com outras religiões indo-européias, como a grega, a romana e a germânica. Sabemos disso, pelos chamados hinos védicos (da palavra Veda, ou seja conhecimento), que eram recitados por sacerdotes durante os sacrifícios a seus muitos deuses. O Livro dos Vedas, consiste em quatro coletâneas, das quais certas partes datam de cerca de 1500 a.C.

A religião é abraçada hoje por 750 milhões de fiéis, e a maioria deles vive no país, onde o hinduísmo começou a florescer e se firmar durante o ano 1.000 d.C. No século 3 a.C, a religião nacional da Índia era o budismo. Durante os séculos 18 e 19, o hinduísmo sofreu influências externas, quando missionários ocidentais tentaram converter os hindus.
Como outras religiões orientais, o hinduísmo não é facilmente definido por padrões ocidentais. É uma religião sem fundador, sem código de fé ou fonte de autoridade. Os hinduístas não fazem separação entre religião e outros aspectos da vida. Para o hindu, Deus está em todas as coisas.
Fundamentos do hinduísmo
No hinduísmo não há muitos aspectos comuns a todos os grupos de fiéis, mas os adeptos da religião compartilham um sentimento de solidariedade e identificação. As características mais comuns dos hinduístas são a fé em uma única divindade ou deus supremo que está presente em tudo.
Crê-se ainda em outros deuses que sejam ligados ao deus supremo e que a alma passa por um ciclo de nascimento e morte. Acredita-se no carma - uma força que determina a qualidade de cada vida - dependendo de como se viveu na vida anterior. A maioria dos fiéis adora em casa, num pequeno santuário. Os templos hindus são o foco da vida religiosa, mas não existe uma tradição de adoração em grupo.
O hinduísmo não procura converter pessoas, mas algumas seitas indianas modernas já começam a procurar novos adeptos. A religião pode ser definida mais como uma maneira de compreender o universo e como se viver neste universo.

Verdade e fé
O hinduísmo não insiste em ser a "única verdade religiosa" como outras religiões nem tem um código centralizado de fé. Não há uma forma "correta" de hinduísmo. Não existe também um livro equivalente à Bíblia ou ao Corão. O hinduísmo oferece mais importância à tradição oral.
Para muitos hinduístas, a religião é uma questão de prática não de credos. Ações valem mais que a fé. Por trás da prática do hinduísmo existe a convicção de que cada alma está presa ao ciclo do nascimento, morte e renascimento. E cada fiel quer escapar a esse ciclo.
O objetivo dos hinduístas é viver de um modo que proporcione sempre melhorar para a vida seguinte. Viver e agir de maneira correta é conhecido como dharma, o nome indiano para religião é sanatana dharma, que significa "dharma eterno". Os hinduístas acreditam que o universo é um padrão cíclico, ou seja, não tem começo nem fim.

Samsara, o ciclo de vidas
Para os fiéis, a alma individual nasce num corpo, morre e depois reencarna ou renasce noutro corpo. A qualidade da vida seguinte depende do carma da alma, da qualidade dos atos praticados durante a vida (bons ou ruins). Para nascer de novo com uma vida melhor, o indivíduo tem que estar atento a seus atos na vida atual.
Desta forma, quando alguém morre, a alma renasce num novo corpo (não necessariamente um corpo humano, pode renascer num animal). Esse ciclo de nascimento, morte e renascimento é conhecido como samsara. Já o processo da alma renascer em noutro corpo é conhecido como reencarnação.
O último objetivo da alma é ser libertada deste ciclo, e a qualidade de vida em que essa alma renascerá dependerá do que a pessoa fez na vida anterior. Se alguém vai renascer para uma vida melhor, pior, ou até mesmo para viver como um animal, vai depender do carma, que, segundo os hinduístas é o valor que a alma recebe pelos atos bons ou ruins que praticou.
Carma não pode ser interpretado como o julgamento conhecido na religião cristã, ele é automático e impessoal. Os hinduístas almejam viver de uma maneira que lhes proporcionará uma vida melhor na reencarnação.
Libertação e Moshka
O hinduísta procura fugir do ciclo de nascimento, morte e renascimento e se libertar do carma, e isso é chamado de moshka. Cada vez que a alma renasce para uma vida melhor, surge com ela uma oportunidade de melhorar e ficar mais perto da libertação.
A pessoa consegue atingir o moshka quando "se liberta da ignorância" e não deseja mais nada, o que não é um estado de conhecimento, mas de existência. Paradoxalmente é realmente um estado de não ser (não-existência), quando a alma alcança esse estado, a alma torna-se consciente de que não é nada mais que parte de uma realidade, parte de "deus", parte de Brahman e perde a sua identidade individual.
O Hinduísmo não reconhece nem aceita nenhum destino cego, a responsabilidade pelo tipo de vida é sempre do homem, pois ele colherá sempre o que semeou, e automaticamente a transmigração está sujeita à lei da causa e efeito.
A palavra Om, que representa o poder de Deus, pois é o som da criação, o princípio universal, entoado começando todos os mantras. Diz-se que os primeiros yoguis o ouviram em meditação, e esse som permeia o cosmos. É o número um do alfabeto, é o zero que dá valor aos números, é o som da meditação.
A flor de lótus, presente em muitas imagens, devido ao fato de crescer na água pantanosa e não ser afetada por ela significa que devemos ficar acima do mundo material apesar de viver nele. As centenas de pétalas do lótus representam a cultura da "unidade na diversidade".

 


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